Conheci a Dorothy era pequena, tão pequena tão pequena que passei metade da vida à procura, tal como ela, do feiticeiro de Oz. Aquele que dá corações a homens de lata, coragem a leões com medo, pensamentos a espantalhos e que ensina o caminho para voltar para casa, para a nossa casa. Tenho percorrido durante uma boa parte da vida a estrada de tijolos amarelos e, de tanto andar, os pés ficam doridos e tenho de parar. Numa dessas paragens, daquelas em que nos sentamos e olhamos para o céu e apreciamos o degradé das cores com que ele nos presenteia, vi a Dorothy, bem à minha frente, e percebi, finalmente, a magia de Oz. Cada tijolo de pedra amarela, que pisamos, é um passo ao encontro de nós. Quem não procura, todos os dias um verdadeiro coração para acabar com a lata da superficialidade? Quem não sonha com a coragem para enfrentar um mundo e continuar a caminho? Uma vez por outra quem não quer pensar e refletir por si? E não andamos todos à procura de um caminho para casa? O mais angustiante e contraditoriamente promissor, que se escancarou diante de mim, foi perceber a verdadeira natureza do feiticeiro de Oz e dos sapatos vermelhos. Na realidade feiticeiros de Oz somos todos nós. A magia está no nosso interior e só nós podemos fazer os sapatos vermelhos percorrem o caminho que queremos. A única coisa que o bruxinho fez foi mostrar aquilo que estava diante de cada um deles, de cada um de nós. A magia vive de dois ingredientes únicos: a esperança e a crença. São os dois que nos mostram a magia da vida e do mundo, são eles que nos ajudam a encontrar os" totós" e o aconchego das casas mágicas, onde sempre estivemos e que só temos de usar uns certos sapatinhos não para as encontrar mas para as VER.
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